Nos últimos dias, a adopção de crianças por casais homossexuais tem sido um dos temas mais polémicos e mais discutidos por todos. Quase todos têm uma opinião formada, têm algo a dizer sobre o assunto, seja contra ou a favor!
Posso dizer que sou completamente a favor da adopção por casais homossexuais, e se existisse um referendo em Portugal sobre o tema, com toda a certeza que o meu voto seria o sim. É certo que no nosso país existe ainda uma componente social religiosa muito vincada, onde se prega que um casamento deverá apenas ser permitido entre pessoas de sexos opostos, e consequentemente a formação de uma família também.
Todos nós sabemos como funcionam as leis da Natureza e da reprodução humana. Ninguém pensa em pedir ou permitir o impossível, permitir mutações genéticas para que os casais homossexuais possam ter filhos. Não é nada disso, a questão não é assim tão complexa.
Estamos a falar de casais do mesmo sexo, que formam famílias bem estruturadas e que sentem poder acolher no seu meio uma ou mais crianças que vivem, muitas vezes de forma precária, em instituições.
A taxa de crianças para adopção em Portugal é elevada, muitas delas chegam a idade adulta sem nunca saberem o que é ter uma família apenas delas. Vivem sem o carinho, a atenção e dedicação que deve ser prestada a uma criança. Vivem com dificuldades, quando muitas vezes poderiam viver numa situação muito mais desafogada.
Muitos podem argumentar que estas crianças, ao serem educadas por pais homossexuais lhes poderão seguir as pisadas na questão da orientação sexual. A homossexualidade não se pega, os homossexuais não são uns monstros que comem criancinhas ao pequeno-almoço. São pessoas racionais, com princípios e valores comuns a todos nós, só têm gostos diferentes a nível sexual. Lá por uma criança viver num meio em que existem dois pais ou duas mães, não significa que ela seja mal formada, ou que a raça humana vá acabar porque agora o nível de homossexualidade vai aumentar.
Outros argumentam que estas crianças podem sofrer represálias na escola, o chamado Bulling. Podem, é verdade! Todos nós sabemos como a inocência e descaramento das crianças pode ser cruel, especialmente porque os pais não têm o cuidado de lhes explicar certos factos e retirar algumas dúvidas, escondem a cabeça na areia e deixam andar, porque são crianças tadinhos. Mas as crianças de pais de sexos diferentes também sofrem de Bulling e não é por isso que se impede ninguém de ter filhos… As próprias crianças que vivem até a maior idade em instituições são vítimas de Bulling. Mas talvez, tendo uma família que a apoia, as coisas sejam mais fáceis de ultrapassar.
Existem muitos mais argumentos sem sentido, não vou debruçar-me sobre todos eles. Mas a adopção em Portugal já tem tantas barreiras, já é tão dificultada que todas estas medidas só estão a deixar cada vez mais abandonados os inocentes que tiveram a fraca sorte de irem para instituições e seguirem o caminho da adopção.
E a todos aqueles que dizem “no meu tempo não era nada disto!”, ainda bem que os tempos mudam, se não, como diz a minha avó, “ainda andávamos com a galinha pela corda a fazer de cãozinho”.














