Tudo o que o coração me disser!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Adopção…

Nos últimos dias, a adopção de crianças por casais homossexuais tem sido um dos temas mais polémicos e mais discutidos por todos. Quase todos têm uma opinião formada, têm algo a dizer sobre o assunto, seja contra ou a favor!
Posso dizer que sou completamente a favor da adopção por casais homossexuais, e se existisse um referendo em Portugal sobre o tema, com toda a certeza que o meu voto seria o sim. É certo que no nosso país existe ainda uma componente social religiosa muito vincada, onde se prega que um casamento deverá apenas ser permitido entre pessoas de sexos opostos, e consequentemente a formação de uma família também.
Todos nós sabemos como funcionam as leis da Natureza e da reprodução humana. Ninguém pensa em pedir ou permitir o impossível, permitir mutações genéticas para que os casais homossexuais possam ter filhos. Não é nada disso, a questão não é assim tão complexa.
Estamos a falar de casais do mesmo sexo, que formam famílias bem estruturadas e que sentem poder acolher no seu meio uma ou mais crianças que vivem, muitas vezes de forma precária, em instituições.
A taxa de crianças para adopção em Portugal é elevada, muitas delas chegam a idade adulta sem nunca saberem o que é ter uma família apenas delas. Vivem sem o carinho, a atenção e dedicação que deve ser prestada a uma criança. Vivem com dificuldades, quando muitas vezes poderiam viver numa situação muito mais desafogada.
Muitos podem argumentar que estas crianças, ao serem educadas por pais homossexuais lhes poderão seguir as pisadas na questão da orientação sexual. A homossexualidade não se pega, os homossexuais não são uns monstros que comem criancinhas ao pequeno-almoço. São pessoas racionais, com princípios e valores comuns a todos nós, só têm gostos diferentes a nível sexual. Lá por uma criança viver num meio em que existem dois pais ou duas mães, não significa que ela seja mal formada, ou que a raça humana vá acabar porque agora o nível de homossexualidade vai aumentar.
Outros argumentam que estas crianças podem sofrer represálias na escola, o chamado Bulling. Podem, é verdade! Todos nós sabemos como a inocência e descaramento das crianças pode ser cruel, especialmente porque os pais não têm o cuidado de lhes explicar certos factos e retirar algumas dúvidas, escondem a cabeça na areia e deixam andar, porque são crianças tadinhos. Mas as crianças de pais de sexos diferentes também sofrem de Bulling e não é por isso que se impede ninguém de ter filhos… As próprias crianças que vivem até a maior idade em instituições são vítimas de Bulling. Mas talvez, tendo uma família que a apoia, as coisas sejam mais fáceis de ultrapassar.
Existem muitos mais argumentos sem sentido, não vou debruçar-me sobre todos eles. Mas a adopção em Portugal já tem tantas barreiras, já é tão dificultada que todas estas medidas só estão a deixar cada vez mais abandonados os inocentes que tiveram a fraca sorte de irem para instituições e seguirem o caminho da adopção.
E a todos aqueles que dizem “no meu tempo não era nada disto!”, ainda bem que os tempos mudam, se não, como diz a minha avó, “ainda andávamos com a galinha pela corda a fazer de cãozinho”.


9 comentários:

Amélie disse...

As pessoas consideram uma ameaça tudo aquilo que não compreendem. A questão da adopção por casais homossexuais será sempre motivo para discórdia, mais ainda se for um casal formado por dois homens, que um formado por duas mulheres. O preconceito e a pequenez da mente das pessoas não lhes permite ver que essas crianças adoptadas por casais homessexuais, dispostos a dar-lhes um lar e uma família, foram resultado de uma relação heterossexual falhada. De que vale ter progenitores se nenhum deles sabe ser pai ou mãe? Antes dois pais ou duas mães que saibam realmente o que é sê-lo.

Batata disse...

Cuidado, que há por aí muita homossexualidade escondida por casamentos ditos convencionais.
Então e os pedófilos que abusam dos próprios filhos, quantas vezes com o conhecimento de uma progenitora também ela vítima?
E as crianças filhos de pessoas completamente incapazes de tratar delas, que eu chego a dizer que há pessoas que deviam ser proibidas de ter um canário, quanto mais um filho.
É complicado... a sociedade aceita mais facilmente os maus tratos dados pelo pai bêbedo, do que pelo homossexual "imoral", esquecendo que a imoralidade pode "morar" em qualquer casa, mesmo as de "boas famílias". :(

BlackRaven disse...

Vou ser directo e sucinto, em termos de adopção, o único ponto fundamental é saber se os interessados em adoptar possuem condições para o fazer. E não falo das condições monetárias, falo sim de amor, afecto, educação e harmonia que o casal homossexual ou heterossexual terá de oferecer à criança que irão acolher. Os tempos mudam, também as mentalidades deveriam mudar.

eu-sou-eu disse...

Poison, és linda mulher :D

*Nightwish* disse...

Sou totalmente a favor. Já cheguei a expor a minha opinião no meu bloguinho, e acho uma termenda injustiça os casais homossexuais não poderem adoptar. Então não são cidadãos como os outros, ou essa igualdade só interessa na altura de se pagar os impostos? Eu também sofri de bulling na escola, e não foi por ter dois pais ou duas mães. O mais importante devia ser a prossecução do superior interesse da criança ou crianças adoptadas, e é sempre melhor uma família, ainda que não a "convencional" que família nenhuma. Acho ainda que deviam fazer um referendo, porque não é meia dúzia de deputados que pode fazer por toda a população. Devia ser o povo a votar se quer ou não a adopção homossexual, algo que não vejo ser diferente da adopção por casais heterossexuais, mas enfim... Neste país pequenino, as pessoas tentem a querer ser a todo o custo, também pequeninas.
Bjs*

Ritinha disse...

Concordo a 100% contigo, por mim se houvesse um referendo o meu voto seria sim, sem pensar duas vezes, eu tenho esperanças que a mentalidade das pessoas evolua, e que pensem que é bem melhor uma criança ter um lar, onde é amada e acarinhada, independentemente dos pais serem hetero ou homo!

O que interessa é o amor, os falsos moralismos já enjoam e têm de ser ultrapassados!

Paper disse...

Faço minhas palavras as da amélia.
Há imensas crianças a precisar de um lar,de amor. Na minha opinião, e até penso que é a opinião de muitas crianças na situação de adopção, preferem ter o amor carinho de dois pais ou duas mães do que de nenhum.
A mentalidade humana e o preconceito assustam me cada vez mais.

Raven disse...

Alguém inteligente, finalmente!! Nem mais, estou desejosa que se faça o referendo. A homosexualidade existe desde sempre e, não tivesse surgido o cristianismo, seria ainda hoje vista com bons olhos. Não entendo a necessidade de colocar crianças em posições frágeis, com carencias e sem esperanças de futuro, podendo terem uma estrutura unida e com amor. E como uma rapariga adoptada por gays me disse uma vez "Claro que fui gozada na escola! Mas não mais que o meu colega que era preto, cigano ou gordo!". Familia é apoio, não é descriminação.

Poison disse...

#Amélie
Concordo que a homossexualidade masculina não é tão bem aceite. E sim, se há crianças para adoptar é porque um casal hetero não soube fazer o papel de pais devidamente.

#Batata
Concordo. Mais depressa se aceita, esconde e não se condena os maus tratos dos pais a filhos do que o amor de um homossexual por um filho adoptivo.

#eu-sou-eu
ai, não me envergonhes mulher!

#Nightwish
Mesmo havendo o referendo, temo que a decisão seja a mesma. O preconceito, infelizmente não é só por parte dos mais velhos, mas também dos mais jovens... Infelizmente é assim!

#Ritinha
Também concordo que o amor é que importa. E o suporte de uma família é fundamental!

#Paper
o que as crianças para adopção querem é atenção, dedicação e carinho... já que onde estão não a têm!

#Raven
Nem mais. Todos sofrem, em algum momento, do preconceito dos outros. E não é preciso ser filha de homossexuais, infelizmente basta existir!

#BlackRaven
Pois deviam mudar... E começar-se a perceber que a homossexualidade não se pega, não se escolhe e não é doença!