Tudo o que o coração me disser!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Prioridades…

Já tinha ouvido muitas vezes contar histórias de mulheres que abandonam vidas promissoras em prol de um homem, mas não estamos a falar de provas de amor, estamos a falar de mulheres que se anulam na sua totalidade porque o seu companheiro não concorda com a vida que esta leva.
É o ponto decadente de um ser humano, anular-se para que o outro fique feliz. Deixar de os estudos na universidade apenas porque o namorado actual não se sente bem por ela estudar e ele não, deixar um trabalho de sucesso porque o actual companheiro não acha que seja o mais apropriado porque ele é um operário e ela uma directora, entre outros muitos exemplos…
O que é que passa pela cabeça de uma mulher quando concorda com esta manipulação e anulação do seu intimo? Tem medo do quê, de ficar sozinha para o resto dos seus dias, de não encontrar mais nenhum homem à face da terra que a possa valorizar?
O caso que conheci é muito simples de explicar. Uma rapariga com pouca ou nenhuma experiencia em relacionamentos amorosos, de quem se ouviam histórias de envolvimentos sem compromisso, de homens que se aproveitavam da sua inocência e ingenuidade. Uma rapariga bastante insinuante, mas com pouco carácter ou personalidade, não era dona de uma beleza estonteante mas sociável. Conhece um rapaz com carácter manipulador, que se acha dono da verdade e pensa que tem uma experiencia de vida de meter inveja ao velho do Restelo, que depois de alguns relacionamentos decide que tem de conhecer alguém com quem casar e nada melhor do que a inocente lá da zona que é para não ter de procurar muito longe. Depois de alguma luta (ou nem por isso) lá se inicia o conto de fadas. Ele afasta-a dos amigos da faculdade, porque eram mais do que ele, um simples operários fabril que não conseguia discutir certos temas com o grupo; seguidamente leva-a a desistir da faculdade e a contentar-se com um emprego como caixeira de supermercado, e o que inicialmente era apenas um part-time para suportar despesas da faculdade passa a ser o emprego fixo da futura Sr. drª.
E a vida continua, na passividade de quem acredita ser feliz nas garras de um homem que pintou a história que queria sem se preocupar com o outro lado. Os “amigos” assistiam impávidos à necessidade de alguém que se anulava para poder sentir o que era ter um namorado e ser amada por alguém!

Não julgo, nem dou palpites sobre as escolhas… Mas eu não chamo a isto felicidade, chamo a isto uma forma de manipular alguém que tinha um sonho antes e que o deixou para seguir com um futuro que tinha medo de não poder ter. Se é o mais correcto, não sei. Depende do carácter de cada um, das escolhas e opções de vida!


10 comentários:

Jedi Master Atomic disse...

Agora lê de novo o teu post a pensar numa situação em que ele tem um bom emprego e ela é striper...lol

Tirando a brincadeira, concordo com isto. Se tens que deixar de seres um individuo para seres parte dum casal, então não vale a pena investir na relação.

O Batata disse...

Seja o que for, é triste. Mas acontece muito, porque os homens abandonam mais cedo os estudos. Eles preferem ficar de baixo das saias da mãe, ou procurar uma namorada que a substitua.
Encontro aí a razão de muitas mulheres estarem a decidir ficar sós, ou com uma relação menos consistente, tipo "tua na tua casa e eu na minha" e quando tivermos saudades, encontramo-nos por aí.
Talvez seja a solução, numa sociedade que evoluiu de maneira esquisita. Sem dúvida melhor do que a anulação de um dos elementos da relação.

Mamã de Salto Alto disse...

Também concordo com estas palavras.Ninguém,tem de deixar de ser como é ou o que é,em função de outro alguém.A longo prazo,isso não vai resultar.E isso não é amar.Nem ter amor próprio.Tem de haver espaço para as duas personalidades.Todas as mulheres deviam ser autónomas e independentes,mesmo estando casadas.Nunca se sabe o que reserva o futuro...

*Nightwish* disse...

Eu não era capaz de deixar a minha vida para trás ou de deixar de ser quem sou por outra pessoa. Se alguém gosta realmente de nós é pelo que somos, não o que podemos vir a ser ou o que ele/ela pensa que nos pode tornar.
Bjs*

BlackRaven disse...

Objectos com duas pernas... Fazendo alusão a esse post, foi um sentimento de déjà vú que me envolveu. Voltou aquele sentimento de desespero que nos torna irracionais, o medo de acabar sozinhos e definhar num buraco escuro e sem fim. Eis entao que do ar surgem os "abutres" em busca de ingenuidade, que se apoderam do fraco espírito de quem nao confia em si próprio. Assim se inicia uma história infeliz de manipulação, de possessao exarcebada e de cegueira mental. Abdicar de um futuro, do nosso futuro por quem amamos pode parecer um acto saido de uma historia de encantar, mas nao, este sera possivelmente o inicio de um filme de terror, onde a ingénua é enjaulada e nem disso se apercebe... vai viver uma relaçao com pés de vidro onde a sua opiniao nao passa de uma mera ilusao. Não sou juiz e assim como tu posso estar completamente errado, mas a vida diz-me o contrario... espero que ela ainda va a tempo de abrir os olhos, ou entao continuar numa "felicidade" à qual eu nao chamo isso...

Ritinha disse...

Concordo plenamente, e espero que as mulheres deixem de fazer este tipo de coisas, nenhum homem tem o direito de nos fazer desistir dos nossos sonhos, e se tenta é porque não nos merece!

Raven disse...

Acho que falas aqui de coisas completamente opostas. O caso que descreveste é manipulador e resultará num casal infeliz, sem dúvida. Mas há casos equilibrados, pessoas que numa determinada altura, por situações da vida, pela distancia, por um sem fim de motivadores, são levadas a optar por um caminho único. E acredito que haja gente feliz largando tudo e dedicando-se à construção de uma familia. Tem essencialmente a ver com os valores e sonhos de cada um. Eu seria incapaz de o fazer! Porque conheço-me e sei que ficaria frustrada e mais tarde acabaria por deitar as culpas ao outro e geraria uma relação de caos. Nem permitiria que alguem largasse tudo por mim! Sentir-me-ia culpada. Mas acredito que existam pessoas com valores altamente amorosos e familiares, que tenham isso como sonho supremo acima de uma carreira. Namoro com uma pessoa assim, e a minha melhor amiga é igual.

Kim III disse...

Não discordo da ideia de abdicar de certas coisas pela pessoa que amamos, mas apenas se essa for a nossa vontade e não resultado de uma manipulação. A cima de tudo o importante é sermos felizes e essa rapariga não deve ser de certeza..

Moi disse...

Um caso de violência doméstica psicológica... dificil de provar, avança mansamente, e elimina até as defesas... livrar-se disso, muitas vezes é complicado. Tudo o que mexe com a mente, é extremamente complexo.



Beijo

Poison disse...

#Jedi Master Atomic
Eu li, mas como não me consigo desligar da imagem da pessoa... não me parece que fosse uma hipótese! :)

#O batata
é verdade que cada vez mais as mulheres têm necessidade de independência e de lutarem pelo que querem na vida, talvez por durante tantos anos se terem ouvido historias de ostracisação das mulheres. Nesse aspecto, são poucos os homens que sentem essa necessidade, mas também existem!

#Mamã de Saltos Altos
é verdade, se as mulheres dependerem em tudo dos maridos e um dia a relação não da certo, falta-lhes o chão e não sabem como voltar a viver!

#Nightwish
Isto é sobretudo um problema de personalidade, ou da falta dela. E decide-se que viver ao sabor da personalidade de alguém é mais fácil do que ter uma própria!

#BlackRaven
Há pessoas que vivem felizes na sua própria ingenuidade... Será a felicidade que cada um procura, não sei!

#Ritinha
Ter alguém significa ter um apoio e não alguém que nos molda ao sabor do seu prazer! Prefiro ter de me adaptar a uma personalidade do que ter de criar uma que me agrade...

#Raven
Acredito que hajam pessoas felizes por largarem tudo e viverem um grande amor e construírem uma família. Mas como tu dizes, tratam-se de casos equilibrados de pessoas racionais que não se anulam uma à outra. A minha duvida reside num facto que também vincaste, e se as coisas não dão certo? Nem se prende com o facto de culpar o outro, mas sim culpar-me a mim própria e não saber como continuar o meu caminho sem algo que eu julgava ser um alicerce e não ter mais nada!

#Kim III
O abdicar de tudo por alguém pode existir sim, mas tem de ser algo equilibrado e não feito sem sentido e por manipulação...

#Moi
o problema é quando a pessoa que esta a sofrer essa agressão psicológica não tem noção de onde se está a meter... e deixa-se ir, iludida pela ânsia de encontrar a felicidade.